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ARQUITETOS DE JOGOS

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O que é vibe coding e dá para fazer jogos assim?

A expressão tem menos de dois anos e já virou palavra do ano. Veja o que ela entrega num jogo e onde ela quebra.

Por Publicado em 10 min de leitura

Ilustração em pixel art: um homem relaxado num pufe, de fones de ouvido, conversa com um pequeno robô que monta, numa tela grande, uma fase de jogo feita de blocos dourados, cercada por ondas de luz. Imagem gerada por inteligência artificial.

RESUMO PARA QUEM ESTÁ COM PRESSA · 2 min

Vibe coding é fazer um programa só conversando com a IA, aceitando o que ela escreve sem ler o código. O nome é de Andrej Karpathy, em fevereiro de 2025, e virou a palavra do ano do dicionário Collins. Dá para fazer jogos assim, mas o resultado costuma parar na primeira versão: sem conferir, o jogo sai genérico, cheio de erros e às vezes inseguro.

  • A expressão vibe coding nasceu num post de Andrej Karpathy de 2 de fevereiro de 2025, para projetos descartáveis de fim de semana.
  • Em 6 de novembro de 2025, o dicionário Collins escolheu vibe coding como a palavra do ano.
  • Na definição mais estrita, vibe coding é fazer programa com a IA sem revisar o código que ela escreve.
  • A Vibe Jam 2026, competição de jogos com pelo menos 90% do código escrito por IA, recebeu 945 jogos em um mês, segundo o organizador.
  • Num teste de 2026, quando o pedido era o jogo inteiro, o melhor agente de IA fez 41,46 pontos em 100.
  • Num estudo da Veracode com mais de 100 modelos de IA, o código gerado tinha falha de segurança em cerca de 45% dos casos.
  • Foram 181 mil jogos de celular lançados em seis meses até maio de 2026, e os que passaram de US$ 20 mil cresceram só 14%.

Seu primeiro passo: Escreva, antes de abrir a IA, uma frase sobre o que o seu jogo tem de diferente. É ela que impede o resultado genérico.

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Em formato de podcast, com a voz de um narrador.

O que é vibe coding?

Vibe coding é fazer um programa conversando com a IA em linguagem do dia a dia e aceitar o que ela escreve sem ler o código. Você diz o que quer, a IA escreve, você vê se funcionou e, se der erro, cola a mensagem de erro de volta na conversa.

A palavra "vibe", em inglês, é clima, sensação. A ideia é programar no embalo: guiar o trabalho pelo resultado que aparece na tela, e não pelo código por trás dele.

Para quem nunca programou, isso abriu uma porta que não existia. Para quem programa, virou uma discussão: até onde dá para confiar num código que ninguém leu?

De onde veio a expressão vibe coding?

De um post de Andrej Karpathy, cofundador da OpenAI e ex-líder de IA da Tesla, publicado no X em 2 de fevereiro de 20251. Ele descreveu um jeito novo de programar em que a pessoa se entrega ao clima e esquece que o código existe, e disse que aquilo não era ruim para projetos descartáveis de fim de semana2.

O nome pegou rápido. Em março de 2025, o dicionário Merriam-Webster já listava "vibe coding" entre as gírias em alta1. Em 6 de novembro de 2025, o dicionário Collins escolheu a expressão como a palavra do ano. A definição do Collins é o uso de inteligência artificial, comandada por linguagem natural, para ajudar a escrever código de computador3.

QuandoO que aconteceu
02/02/2025Karpathy usa a expressão vibe coding num post no X1
Março de 2025O Merriam-Webster lista a expressão como gíria em alta1
19/03/2025Simon Willison separa vibe coding de programar com ajuda de IA2
06/11/2025O Collins escolhe vibe coding como a palavra do ano3

Repare num detalhe: o próprio criador do termo falou em projeto descartável. A ideia nasceu como brincadeira de fim de semana, e não como jeito de fazer produto.

Vibe coding é o mesmo que programar com IA?

Não exatamente, e a diferença importa. Simon Willison, que escreve sobre programação com IA no blog dele, propôs uma régua simples: vibe coding é fazer programa com a IA sem revisar o código que ela escreve2.

Se você revisa, testa e consegue explicar o que o programa faz, Willison diz que isso é desenvolvimento de software normal, só que com ajuda de IA2. Para ele, vibe coding serve quando o risco é baixo: projeto pequeno, sem dados de outras pessoas, sem senha exposta e sem nada que gere cobrança descontrolada. O que vai ser usado por outras pessoas merece a conferência de alguém mais experiente antes2.

A definição do Collins é mais larga e cobre qualquer uso da IA para escrever código3. Na prática, as duas convivem: quando alguém diz "fiz isso com vibe coding", pode estar falando de um jogo de uma tarde ou de um projeto de meses, revisado com cuidado.

Como é fazer um jogo com vibe coding, na prática?

É uma conversa que vai e volta. Você descreve o jogo, a IA monta uma primeira versão, você joga, aponta o que está errado, e ela corrige. Quando aparece um erro, você copia a mensagem e entrega para a IA resolver.

Ethan Mollick, que escreve sobre IA na newsletter One Useful Thing, contou em março de 2025 como foi fazer um jogo assim com o Claude Code. Começou com um pedido só: um jogo em 3D em que ele punha prédios numa cidade e dirigia por ela. Depois pediu um caminhão de bombeiros, trânsito, fogo que se espalhava, dia e noite e missões6.

O custo de uso da IA foi de cerca de 5 dólares. No terceiro pedido o jogo parou de funcionar. Mollick não conhecia a linguagem em que o jogo estava escrito, então foi repassando os erros para a IA, num vai e volta de uns vinte minutos, que custou mais uns 8 dólares. O problema era simples6.

A conclusão dele é a parte mais útil: vibe coding não elimina o conhecimento, muda o lugar dele. Em vez de escrever o código, a pessoa precisa saber o suficiente para guiar, achar o problema e julgar o resultado. E as ferramentas, segundo ele, ainda não são confiáveis para trabalhar sozinhas6.

Dá para fazer jogos com vibe coding?

Dá, e já há muitos. A pergunta melhor é que tipo de jogo sai assim, e quanto dele aguenta ir para a loja.

  • Competição de jogos feitos por IA. A Vibe Jam 2026, organizada por Pieter Levels, exigia que pelo menos 90% do código fosse escrito por IA e recebeu 945 jogos entre 1º de abril e 1º de maio de 2026. A edição de 2025 passou de mil inscrições no primeiro mês, segundo o organizador, e teve Karpathy entre os jurados5.
  • O jogo de voo de navegador. Em março de 2025, Pieter Levels, que já criava programas e empresas na internet e tinha muitos seguidores, disse que o fly.pieter.com, um simulador de voo gratuito para jogar no navegador feito com IA, rendia mais de 50 mil dólares por mês. O número é dele, sem auditoria, e o título da reportagem do 404 Media avisa que o seu jogo provavelmente não vai render isso4.
  • A equipe do podcast. Em 2026, a apresentadora e dois produtores de um podcast da Slate, sem saber programar (um deles com um pouco de experiência), fizeram com o Claude Code um jogo no estilo The Oregon Trail sobre fazer podcast. Eles mesmos chamaram o jogo de ridículo, e o título da reportagem diz que ficou ruim7.
  • O contador que foi até as lojas. Jonathan Bjerk, contador na Noruega, fez com IA o Curve Clash, um jogo de cobrinhas para várias pessoas, e lançou na web, no iPhone e no Android em menos de sete meses. Ele não deixou a IA decidir o jogo: desenhou cada modo, ajustou cada detalhe e testou muito8.

Nenhum desses casos prova que dá dinheiro. Ninguém pode prometer que um jogo feito assim vai render, e a maior parte dos jogos lançados vende pouco. O que eles mostram é que fazer funcionar ficou rápido, e que fazer ficar bom continua levando tempo.

Onde o vibe coding quebra num jogo?

Quebra onde ninguém confere. Os testes de 2026 mostram o tamanho do problema quando a IA trabalha sozinha:

TesteO que mediuResultado
GameDevBench, 2026333 tarefas reais de jogoA melhor IA resolveu 53,8%; nas tarefas de desenho 2D, a média foi 33%9
GameCraft-Bench, 2026140 jogos inteiros, em 15 tiposO melhor agente fez 41,46 pontos em 100; a maioria ficou abaixo de 4010

Os autores do segundo teste descrevem o padrão: os agentes acertam a mecânica que dá para reconhecer, mas entregam jogos com pouco conteúdo, reações visuais que não funcionam e apresentação sem unidade10. É o jogo que "funciona" e ninguém quer jogar duas vezes.

Há também limites que os próprios fabricantes reconhecem. A documentação do Claude Code avisa que, em conversa longa, a IA começa a esquecer instruções dadas antes e a errar mais, e que ela para quando o trabalho parece pronto. Sem uma forma de conferir, quem faz a checagem é você, erro por erro11.

E há a segurança. Num estudo da Veracode com 80 tarefas de programação e mais de 100 modelos de IA, o código gerado funcionava, mas trouxe falha de segurança em cerca de 45% dos casos. Segundo a empresa, os modelos melhoraram em escrever código certo, e não em escrever código seguro12. Num jogo de uma tela só, sem internet, isso pesa pouco. Num jogo com conta, compra ou ranking online, pesa muito. Foi por um motivo assim que o jogo do podcast ficou fora do site da Slate7.

Por que aceitar tudo sem conferir entrega um jogo genérico?

Porque, quando você não decide, a IA preenche o vazio com o mais comum. Um pedido vago volta como a média de todos os jogos parecidos que existem.

O pequeno robô apresenta, orgulhoso, uma tela com um jogo cinza e sem graça: um quadrado pulando um bloco. Ao lado, o homem segura um caderno com o desenho colorido da ideia dele, uma raposa com uma lanterna numa floresta, e olha a tela sem se impressionar. Mostra o que sai quando o pedido é vago. Imagem gerada por inteligência artificial.

O artista japonês Kazuki Takakura, que fez um jogo de ação com a IA escrevendo todo o código, diz isso com todas as letras. Para ele, a direção, a diversão, o estilo, a dificuldade e a sensação dos controles dependem de experiência física, que a IA não tem. Deixar a IA decidir essas coisas tende a dar um trabalho genérico, feito para o gosto médio13.

Por isso, no jogo dele, a IA ficou com a programação, o planejamento e a caça aos erros, e ele ficou com a direção, os desenhos, os sons e a palavra final13. Bjerk resumiu o mesmo arranjo numa frase: "AI was my engineering team, not my creative director", a IA foi a equipe de engenharia, e não quem decidia o jogo8.

A leitura nossa: o vibe coding puro, de aceitar tudo, serve para descobrir se uma ideia tem graça. Para fazer um jogo com a sua cara, alguém precisa dizer não ao primeiro resultado, e esse alguém é você.

O vibe coding está mudando as lojas de jogos?

Está aumentando a quantidade, e não na mesma medida a quantidade de jogos que dão certo. Uma reportagem sul-coreana de julho de 2026 liga ao vibe coding a alta de lançamentos no celular: foram 181 mil jogos em seis meses até maio de 2026, com alta de 118% no iPhone e de 73% no Android em um ano, segundo a ATTN Economy. No mesmo texto, a Naavik conta que os jogos que passaram de 20 mil dólares de receita cresceram só 14% entre dezembro de 2025 e fevereiro de 202614.

Na Steam, a maior loja de jogos de computador, um censo independente de cerca de 53,6 mil lançamentos mostra que, em meados de 2026, cerca de um em cada três jogos novos declara conteúdo feito com IA, quase sempre desenhos e imagens15. A Steam pede esse aviso para o que o jogador vê ou ouve; usar IA só para programar não é o foco da regra17.

Do lado de quem faz as ferramentas, também há resistência. Os responsáveis pelo Godot, programa gratuito de fazer jogos, disseram em junho de 2026 que ele não tem recursos de IA nem planeja ter, e que contribuição de baixa qualidade feita por IA para o código do programa é recusada automaticamente16. A regra vale para quem ajuda a construir o Godot, e não para quem usa o Godot para fazer o próprio jogo.

O outro lado

Vibe coding funciona bem para provar uma ideia, e mal para entregar um jogo pronto. O próprio Karpathy falou em projeto descartável. Os testes de 2026 mostram a IA sozinha acertando entre 41% e 54% do trabalho, o código pode sair inseguro e o resultado sem direção tende ao genérico. Quem quer publicar precisa conferir o que a IA faz, mesmo sem ler código: jogando, testando com outras pessoas e dizendo não ao que não ficou bom.

Então, vale a pena fazer jogo com vibe coding?

Vale como começo. Uma primeira versão feita no embalo mostra em pouco tempo se a sua ideia tem graça, e jogar fora custa pouco. Para ir além disso, o caminho completo, com as etapas e os custos, está em como fazer um jogo com IA.

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Perguntas relacionadas

O que significa vibe coding?

É fazer um programa conversando com a IA, em linguagem do dia a dia, e aceitar o que ela escreve sem ler o código. A expressão vem do inglês: programar no embalo, pela sensação.

Quem inventou o termo vibe coding?

Andrej Karpathy, cofundador da OpenAI e ex-líder de IA da Tesla, num post de 2 de fevereiro de 2025. Ele disse que o jeito servia para projetos descartáveis de fim de semana.

Vibe coding é o mesmo que programar com IA?

Não exatamente. Para o blogueiro Simon Willison, vibe coding é só quando você não revisa o código. Se você confere, testa e entende o que a IA fez, é desenvolvimento normal com ajuda de IA.

Dá para publicar na loja um jogo feito com vibe coding?

Dá, mas a loja não olha como o jogo foi feito, e sim se ele funciona e cumpre as regras. Na Steam, o conteúdo gerado por IA que o jogador vê ou ouve precisa ser declarado. E jogo com conta, compra ou ranking online pede conferência de segurança.

Vibe coding é perigoso?

Em jogo pequeno e sem dados de ninguém, o risco é baixo: o pior é o jogo quebrar. Num estudo da Veracode, o código gerado por IA trouxe falha de segurança em cerca de 45% dos casos, o que pesa em jogo online, com login ou compra.

Preciso saber programar para fazer vibe coding?

Não para começar. Mas Ethan Mollick, que escreve sobre IA e fez um jogo assim, concluiu que o conhecimento não some: ele muda de lugar, de escrever o código para saber guiar, corrigir e avaliar o que a IA fez.

Fontes

  1. Wikipedia, "Vibe coding". Acesso em 14/10/2026.
  2. Simon Willison, "Not all AI-assisted programming is vibe coding" (19/03/2025). Acesso em 14/10/2026.
  3. CNN (via KVIA), "Vibe coding named Collins Dictionary's Word of the Year" (06/11/2025). Acesso em 14/10/2026.
  4. 404 Media, sobre o jogo de voo de Pieter Levels (05/03/2025). Acesso em 14/10/2026.
  5. Vibe Jam 2026, página de imprensa. Acesso em 14/10/2026.
  6. Ethan Mollick, One Useful Thing, "Speaking things into existence" (11/03/2025). Acesso em 14/10/2026.
  7. Slate, o jogo feito com IA pela equipe de um podcast (05/04/2026). Acesso em 14/10/2026.
  8. AI Gamechangers, entrevista com Jonathan Bjerk (06/04/2026). Acesso em 14/10/2026.
  9. GameDevBench, Chi e outros, anais da ICML 2026. Acesso em 14/10/2026.
  10. GameCraft-Bench, Luo, Wang e outros, arXiv (16/06/2026). Acesso em 14/10/2026.
  11. Documentação do Claude Code, "Best practices". Acesso em 14/10/2026.
  12. Veracode, comunicado sobre segurança do código gerado por IA (30/07/2025). Acesso em 14/10/2026.
  13. Kazuki Takakura, relato no note sobre o jogo feito com IA (16/07/2026). Acesso em 14/10/2026.
  14. Digital Today, alta de lançamentos de jogos de celular (02/07/2026). Acesso em 14/10/2026.
  15. Sulka Haro, "Three years of AI on Steam" (13/07/2026). Acesso em 14/10/2026.
  16. Game Developer, Godot e as contribuições feitas com IA (22/06/2026). Acesso em 14/10/2026.
  17. Steamworks, questionário de conteúdo e aviso de IA. Acesso em 14/10/2026.

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